Ataque dos Estados Unidos ao Irã pode pressionar custos agrícolas

Imagem gerado para IA para o Canal Rural

O mundo já viu muitas fases de tensão entre Estados Unidos e Irã. A diferença agora é que os sinais não estão apenas nos discursos, estão no mar.

O envio do porta-aviões USS Gerald R. Ford para a região não é gesto simbólico. É o poder real deslocado para um ponto sensível do planeta. Do outro lado, o Irã faz exercícios e mostra força no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% da energia mundial.

A pergunta não é se a guerra é certa. Não é. Mas também não é mais um blefe qualquer.

Quando há mobilização militar dessa magnitude, o risco deixa de ser retórico. Pode ser pressão para arrancar concessões no acordo nuclear. Pode ser estratégia de dissuasão. Mas também pode escapar do controle. Basta um erro de cálculo para a escalada se tornar realidade.

Se isso acontecer, o primeiro impacto será no petróleo. E petróleo mais caro significa energia mais cara. Energia mais cara significa fertilizante mais caro.

É aqui que o Brasil entra nessa história.

O agronegócio brasileiro é competitivo e produtivo. Mas depende de insumos importados. A ureia, por exemplo, está diretamente ligada ao custo do gás natural. Um conflito no Golfo Pérsico não precisa fechar totalmente o Estreito de Ormuz para provocar alta de preços. Basta gerar insegurança nas rotas e elevar o prêmio de risco no transporte.

Num cenário em que o produtor já enfrenta juros elevados, crédito seletivo e margens apertadas, um choque de fertilizantes teria efeito imediato no custo por hectare. E custo, no campo, não aceita discurso. Fecha ou não fecha a conta. Não se trata de alarmismo. Trata-se de risco.

Hoje, a probabilidade de um confronto é maior do que nos últimos anos. A mobilização naval é concreta, a retórica é firme e a margem para recuo político é estreita. Não significa que o ataque seja inevitável. Mas ignorar o cenário é imprudência.

O agro brasileiro já atravessou guerras comerciais, pandemias e choques cambiais. Sempre reagiu. Sempre encontrou saída. Mas continua vulnerável quando o assunto é insumo estratégico.

Se houver ataque, o impacto virá primeiro pelo custo. Depois pela inflação global. Depois pela volatilidade cambial. Tudo isso chega ao produtor antes de chegar ao consumidor. O Brasil não participa do conflito. Mas paga a conta se ele acontecer.

E, em um momento de margens apertadas, essa é uma conta que o agro não pode ser pego de surpresa.

Miguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural





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