Neutralidade de carbono: os caminhos do agro para se adaptar até 2050

Foto: Datagro

A transição para uma agricultura de baixa emissão de carbono será um dos desafios estratégicos do agronegócio brasileiro nas próximas décadas. Entre as metas para 2030, junto do horizonte de neutralidade climática em 2050, o setor terá de combinar aumento de produtividade, conservação ambiental, novas tecnologias e eficiência no uso de recursos.

O tema será debatido no Global Agribusiness Festival (GAFFFF), durante o painel “Neutralidade de Carbono no Agro: Caminhos para 2030 e 2050”, que será promovido no Fórum do primeiro dia de evento, em 1º de outubro.

A mesa terá como moderador Marcelo Augusto Boechat Morandi, pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), com a participação de Carina Mendonça Pimenta, secretária nacional de Bioeconomia do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima; Marina Grossi, presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) e enviada especial da COP30 para o setor empresarial; Mateus Schreiner Garcez Lopes, diretor de Transição Energética e Investimentos da Terra Genomics; e Valmir Barbosa, consultor sênior da Datagro Alta Performance.

No curto prazo, 2030 é um marco importante para a transformação do setor. O Plano ABC+, política brasileira para adaptação e baixa emissão de carbono na agropecuária, prevê a expansão de tecnologias capazes de reduzir emissões e aumentar a sustentabilidade dos sistemas produtivos.

Entre as estratégias estão a recuperação de pastagens degradadas, os sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), o plantio direto, a fixação biológica de nitrogênio, o manejo de resíduos da produção animal e a adoção de sistemas produtivos mais eficientes.

A recuperação de pastagens, por exemplo, pode aumentar a produtividade de áreas já utilizadas, reduzindo a necessidade de expansão da fronteira agrícola. Já sistemas integrados permitem combinar diferentes atividades na mesma propriedade, com potencial para melhorar o uso do solo e aumentar o estoque de carbono.

Na pecuária, a redução da intensidade das emissões também é uma frente importante. Melhorias na alimentação, no manejo e na produtividade dos animais podem diminuir a quantidade de gases de efeito estufa emitida por unidade de produto.

Para 2050, porém, o desafio é mais amplo. O Brasil mantém o compromisso de alcançar emissões líquidas zero de gases de efeito estufa até esse ano. Para o agronegócio, isso significa avançar não apenas na produção, mas também em energia, logística, uso da terra, bioeconomia e rastreabilidade.

A transição energética tende a ganhar espaço nesse processo. Biocombustíveis, biogás, biometano e outras fontes renováveis podem reduzir o uso de combustíveis fósseis e, ao mesmo tempo, transformar resíduos agropecuários em novas fontes de energia e receita.

Outro ponto será a capacidade de medir os resultados. Com mercados e investidores cada vez mais atentos às questões ambientais, a comprovação das práticas adotadas e das emissões evitadas ou removidas tende a ganhar importância.

Nesse cenário, crédito, tecnologia e assistência técnica serão fundamentais para levar as soluções de baixo carbono a mais propriedades. O desafio será transformar tecnologias já disponíveis em práticas adotadas em escala, considerando as diferenças entre regiões e sistemas produtivos.

O debate no GAFFFF acontece justamente em um momento em que a sustentabilidade deixa de ser apenas uma agenda ambiental e passa a fazer parte da estratégia de competitividade do agronegócio brasileiro.

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