
Desde 3 de setembro, o Brasil deixou de figurar, para determinadas categorias, na lista da União Europeia de países autorizados a fornece produtos de origem animal ao bloco. A mudança está relacionada às exigências europeias sobre o uso de determinados medicamentos antimicrobianos e atinge categorias como bovinos, aves, aquicultura, mel e tripas.
- Veja em primeira mão tudo sobre agricultura, pecuária, economia e previsão do tempo: siga o Canal Rural no Google News!
A decisão europeia é um exemplo de como regras sanitárias e regulatórias vêm ganhando peso nas relações comerciais e podem afetar diretamente o acesso de grandes produtores de alimentos aos mercados internacionais. Para o Brasil, um dos principais exportadores mundiais de proteínas animais, o episódio também reforça a necessidade de acompanhar uma agenda global cada vez mais complexa.
É justamente esse ambiente que estará em discussão no Global Agribusiness Festival (GAFFFF) 2026, durante o painel “Geopolítica e Comércio Agro: a Nova Regulação Global dos Mercados”. O encontro integra a programação do evento e reunirá especialistas para discutir as transformações que estão redesenhando as relações comerciais do agronegócio.
Entre os participantes confirmados está Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). A entidade representa setores como avicultura, suinocultura e produção de ovos, cadeias que têm forte participação nas exportações brasileiras e estão diretamente expostas às mudanças nas exigências dos mercados compradores.
Ao lado de Santin, o painel contará com Marcos Jank, Professor Senior – Global Agribusiness do Insper, ampliando a discussão para a perspectiva geopolítica e para os impactos das transformações nas relações entre os principais players do comércio mundial.
O caso europeu não é isolado. O agronegócio brasileiro também acompanha os efeitos da salvaguarda chinesa para a carne bovina, que estabelece cotas por país e prevê uma tarifa adicional de 55% sobre os volumes que ultrapassarem os limites definidos. Em agosto, as importações de carne brasileira já haviam alcançado 90% da cota anual estabelecida por Pequim.
Voltando à União Europeia, outro exemplo é a Regulação Europeia sobre Desmatamento (EUDR), que deverá começar a ser aplicada no fim de 2026 e estabelece novas exigências de rastreabilidade e comprovação de origem para produtos associados ao desmatamento, incluindo cadeias relevantes para o Brasil, como soja, café e carne bovina.
Movimentos como esse mostram como regras sanitárias, ambientais e comerciais estão cada vez mais conectadas à estratégia dos países e à disputa por mercados.
No painel do GAFFFF, a discussão abordará como o Brasil pode preservar competitividade, diversificar destinos e se adaptar às novas exigências sem perder espaço em mercados estratégicos.
Mais do que responder a cada mudança de forma isolada, o desafio para o agronegócio será compreender a nova dinâmica global e antecipar seus impactos sobre produção, comércio e acesso aos consumidores.
O post Brasil fora de lista da UE expõe novos desafios ao agro global apareceu primeiro em Canal Rural.
source https://www.canalrural.com.br/gaffff-2026/brasil-fora-de-lista-da-ue-expoe-novos-desafios-ao-agro-global/
Postar um comentário