Alta dos alimentos reforça protagonismo do Brasil, mas insumos pressionam margens

Alta dos alimentos reforça protagonismo do Brasil, mas insumos pressionam margens

O mercado global de alimentos voltou a incorporar prêmio de risco com eventos climáticos extremos, tensões geopolíticas e perturbações logísticas. Em agosto, o Índice de Preços de Alimentos da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) subiu para 133,3 pontos, alta de 1,9% sobre julho. Nesse ambiente, o Brasil amplia o peso na oferta global, mas segue exposto ao custo dos insumos importados.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima a safra brasileira de grãos em 361,7 milhões de toneladas. No comércio exterior, dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que as exportações do agronegócio somaram US$ 57,85 bilhões entre janeiro e agosto, avanço de 9,45% na comparação com igual período de 2025.

Para a Consultoria Agro do Itaú BBA, o espaço ocupado pelo Brasil no mercado internacional decorre de fatores estruturais, como ganhos de produtividade, consolidação da segunda safra, adaptação genética ao clima tropical e integração entre lavoura e pecuária. A avaliação é de que, em momentos de restrição de oferta global, a demanda tende a se voltar ao Brasil, o que reforça o papel do país no abastecimento internacional.

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No mercado de soja, relatórios do USDA registraram compras expressivas da China junto aos Estados Unidos nas últimas semanas de agosto, ao mesmo tempo em que avançaram os embarques pelos portos brasileiros. Segundo o Itaú BBA, esse movimento está ligado à estratégia chinesa de manter mais de uma origem de fornecimento ativa, especialmente na entressafra sul-americana. O analista da Agrinvest Commodities Samuel Mertens avalia que parte adicional dessas compras tem perfil mais geopolítico e comercial.

No campo, o principal foco recai sobre os custos. O Brasil consome cerca de 8% da produção mundial de fertilizantes e importa aproximadamente 85% da demanda. Segundo o Itaú BBA, essa dependência expõe o produtor à variação simultânea do preço internacional dos insumos e do câmbio. Em 2026, a relação de troca piorou para soja e milho, com aumento do volume de sacas necessário para a compra de uma tonelada de MAP.

Na avaliação da StoneX, a janela de compras para fertilizantes da soja está praticamente encerrada, enquanto o mercado acompanha a adubação do milho segunda safra. O analista Tomás Pernias afirma que o segundo semestre concentra a reposição e a recomposição dos estoques de nitrogenados para a safrinha.

O avanço da produção e das exportações mantém o Brasil em posição central no mercado global de alimentos. Ao mesmo tempo, a dependência de fertilizantes importados segue como fator decisivo para a rentabilidade das lavouras e para o equilíbrio entre vendas externas e abastecimento interno.

Fonte: Estadão Conteúdo

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