
Em maio deste ano, o Supremo Tribunal Federal (STF) declarou constitucional a Lei nº 13.452/2017, que alterou os limites do Parque Nacional do Jamanxim, no Pará, para viabilizar a Ferrogrão (EF-170). A decisão afastou um dos principais entraves jurídicos ao avanço do projeto, considerado chave para melhorar o escoamento de grãos pelo país, embora a implantação da ferrovia continue condicionada ao cumprimento das exigências de licenciamento ambiental.
Com o novo cenário jurídico, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) retomou os procedimentos para atualizar documentos jurídicos e estudos de viabilidade da concessão, com vistas ao encaminhamento da documentação revisada ao Tribunal de Contas da União (TCU). A análise pelo órgão de controle é uma das etapas que antecedem a publicação do edital e a realização do leilão.
Projetada para ligar Sinop (MT) a Miritituba (PA), a Ferrogrão terá cerca de 933 quilômetros e integrará a produção do Centro-Oeste ao sistema hidroviário do Tapajós e aos portos do Arco Norte. Segundo o Ministério dos Transportes, o corredor poderá transportar até 52 milhões de toneladas de commodities agrícolas por ano, reduzindo a pressão de caminhões sobre a BR-163 e ampliando as alternativas para o escoamento de soja e milho.
O projeto ganha relevância diante de um desafio histórico do Brasil: a dependência do transporte rodoviário. Estudo do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), com dados brasileiros compilados a partir de fontes como ANTT, Antaq e Conab, mostra que 54% da soja destinada à exportação em 2023 chegou aos principais portos brasileiros por caminhões, enquanto 33% utilizaram ferrovias e apenas 12% hidrovias.
Nos Estados Unidos, considerando os dados mais recentes disponíveis no estudo, referentes a 2022, a proporção foi praticamente inversa: somente 14% das exportações de soja utilizaram caminhões, frente a 38% por ferrovias e 48% por barcaças.
A China também evidencia o potencial de uma matriz mais diversificada. Em 2025, as hidrovias responderam por aproximadamente 55% de todo o transporte de cargas do país medido em tonelada-quilômetro, enquanto rodovias representaram cerca de 29% e ferrovias, 13%, segundo o Escritório Nacional de Estatísticas chinês.
Os caminhos para aproximar o Brasil de uma logística mais integrada estarão no centro do Painel 13C: “Logística e Infraestrutura: O Futuro do Escoamento da Produção”, do GAFFFF 2026. O debate será moderado por Elisangela Pereira Lopes, assessora técnica da Comissão Nacional de Logística e Infraestrutura da CNA, e contará com outros convidados.
O Global Agribusiness Festival (GAFFFF) 2026 acontece nos dias 1º e 2 de outubro, no Nubank Parque, em São Paulo, reunindo lideranças e especialistas para discutir os temas que definirão os próximos passos do agronegócio brasileiro e mundial.
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